Uma vez, há muito tempo, uma amiga me disse que o meu mundo era cor-de-rosa. Não compreendi de imediato o que ela estava tentando me dizer.
Na época até a considerei um pouco "amarga". Mas, na verdade, ela era apenas mais madura do que eu. Muitos anos se passaram desde então e agora compreendo o que ela quis dizer. Meio que sofri ao "crescer". Mudei muito e apesar de hoje ter uma visão "realista" da vida, ainda guardo certas "lentes de pureza" no meu coração que me permitem ver a vida como uma criança a vê: cheia de encanto ou como nós adultos preferimos chamar: de forma utópica. De vez em quando, quando me encontro no "mundo real" penso neste poema que me faz relembrar daquilo que quero.

Quero
Quero ver o sol atrás do muro
Quero um refúgio que seja seguro
Uma nuvem branca sem pó, nem fumaça
Quero um mundo feito sem porta ou vidraça
Quero uma estrada que leve à verdade
Quero a floresta em lugar da cidade
Uma estrela pura de ar respirável
Quero um lago limpo de água potável
Quero voar de mãos dadas com você
Ganhar o espaço em bolhas de sabão
Escorregar pelas cachoeiras
Pintar o mundo de arco-íris
Quero rodar nas asas do girassol
Fazer cristais com gotas de orvalho
Cobrir de flores campos de aço
Beijar de leve a face da lua
(Thomas Roth)
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